Campo de Atuação Urbano
A atuação da REDE no âmbito urbano tem por objetivo potencializar iniciativas comunitárias de agricultura urbana em bases agroecológicas e que incorporam os princípios da segurança alimentar e nutricional, visando melhorar a qualidade de vida das famílias envolvidas e evidenciar a agricultura urbana enquanto uma estratégia de gestão das cidades.
O foco do trabalho urbano são famílias e grupos comunitários de Belo Horizonte, assim como as organizações envolvidas na Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana (AMAU) e em movimentos sociais e espaços de articulação afins.
A concepção adotada pela REDE considera que a agricultura urbana consiste na produção e beneficiamento, de forma segura, de produtos agrícolas (hortaliças, frutas, plantas medicinais, ornamentais) e pecuários (animais de pequeno, médio e grande porte). Estes produtos podem ser utilizados para o consumo próprio, trocas, doações e/ou comercialização, e (re)aproveitam, de forma eficiente e sustentável, os recursos e insumos locais (solo, água, resíduos, mão-de-obra, saberes etc.). A prática da agricultura urbana acontece no espaço urbano, como quintais, lotes vagos, áreas verdes/vazios urbanos, áreas institucionais etc. Por meio do uso de tecnologias apropriadas e processos participativos, pretende-se que a agricultura urbana esteja inserida na gestão territorial, social e ambiental das cidades. As iniciativas de agricultura urbana devem pautar-se pelo respeito aos saberes e conhecimentos locais e pela promoção da eqüidade de gênero, contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida da população. (Adaptado do documento “Panorama da agricultura urbana e periurbana no brasil e diretrizes políticas para sua promoção”. MDS/FAO, REDE e IPES, 2007)
As atividades desenvolvidas pela REDE procuram qualificar as experiências produtivas e organizativas, por meio do acompanhamento aos grupos comunitários e do desenvolvimento de processos de formação que possibilitem a incidência política com protagonismo das lideranças. Neste exercício com as comunidades locais se dá a experimentação e (re)criação de metodologias e técnicas que buscam adaptar à realidade urbana os princípios agroecológicos.
O enfoque agroecológico dado pela REDE à discussão da agricultura urbana vem não somente de sua história de atuação nesse campo, mas principalmente por reconhecer que a agroecologia na cidade é capaz de oferecer alternativas para alguns graves problemas ambientais urbanos. Outra questão que fundamenta a opção pela matriz agroecológica da agricultura urbana é a valorização do saber e da herança cultural de agricultores/as urbanos/as que mantém vivas as práticas da agricultura familiar, como a conservação de sementes e a diversificação de cultivos, uma vez que a maioria das populações periféricas de Belo Horizonte é oriunda da zona rural.
O trabalho desenvolvido diretamente com grupos comunitários e famílias de Belo Horizonte busca ainda estimular a organização da sociedade civil em torno destas questões e demonstrar a viabilidade da agricultura urbana agroecológica para o desenvolvimento sustentável e a gestão das cidades. Assim, integrado ao seu trabalho junto às comunidades, a REDE atua em fóruns, conselhos, articulações e redes da sociedade civil, levando o acúmulo das experiências concretas, de seus conteúdos e aprendizados para os debates e elaboração de propostas e políticas.









