Busca  
Receba notícias da Rede      
Contato

Notícias da REDE

20.07.09

Agricultura Urbana ajuda a proteger áreas verdes em Belo Horizonte

Com visitas a áreas verdes de Belo Horizonte, o terceiro encontro do Curso de Formação de Agricultores Urbanos mostrou como as práticas de agricultura na cidade são variadas e podem contribuir na saúde e na alimentação das pessoas e na melhoria do ambiente urbano.

Durante o curso, que aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, os agricultores urbanos visitaram o Centro de Vivência Agroecológica (CEVAE) do bairro Capitão Eduardo (foto ao lado) e fizeram uma caminhada pela Área de Proteção Ambiental (APA) Taquaril, adjacente ao Parque das Mangabeiras e à Mata da Baleia. Os dois locais são remanescentes de vegetação nativa e guardam uma grande biodiversidade dentro da cidade.

Os recursos naturais disponíveis nestes espaços são utilizados de forma sustentável por raizeiras/os, conhecedoras/es tradicionais e educadoras/es populares para a preparação de remédios caseiros e para os seus trabalhos comunitários. Estas pessoas possuem um vasto conhecimento sobre a forma correta de coletar uma planta medicinal, sem prejudicar o meio ambiente, e realizam diversas atividades que contribuem na divulgação sobre a importância de conservar estas áreas.

“Essa é uma outra dimensão da agricultura urbana, que pode ser realizada em diferentes espaços e de diferentes formas. Temos desde hortas em pequenos locais cimentados, como lajes, até a possibilidade de uso de áreas maiores, como lotes vagos e vazios urbanos, que não estão cumprindo sua função social. E há ainda essa outra experiência: a dos conhecedores e educadoras populares que usam áreas verdes da cidade para o manejo de plantas medicinais do Cerrado”, explica Daniela Almeida, integrante da equipe técnica da Rede de Intercâmbio, ONG responsável pela organização do curso.

Guardiões e guardiãs do Cerrado

Há 15 anos trabalhando com plantas medicinais, o casal Fernando Vieira e Aparecida Arruda (Tantinha) fazem parte do grupo comunitário Semear e já conduziram em caminhadas nas áreas verdes da região leste de Belo Horizonte representantes de outros grupos, estudantes, professores e conhecedores de outras regiões do Brasil e do mundo. Dessa vez, eles participaram com mais de 20 agricultores urbanos de Belo Horizonte da identificação de mais de 50 espécies de plantas medicinais na região da APA Taquaril. Fernando contou porque é importante trabalhar com as plantas nativas do Cerrado. “Antes nós trabalhávamos com espécies exóticas. Depois, com o tempo, descobrimos a vegetação natural de nossa região e as enormes potencialidades medicinais das plantas do Cerrado. Trabalhar com plantas do Cerrado é uma forma de valorizar e proteger o conhecimento e a vegetação local. A gente acaba sendo guardiões dessas áreas de vegetação natural que ainda existem na cidade.”

Outra área verde na cidade que os agricultores conheceram foi o Centro de Vivência Agroecológica do bairro Capitão Eduardo. É nesse refúgio urbano que mais de 10 famílias cultivam hortaliças sem agrotóxicos, contribuindo para a qualidade da alimentação e da saúde da própria família e da comunidade local. É também nessa área que o Grupo de Agricultura Urbana do Capitão Eduardo coleta as plantas medicinais utilizadas nas oficinas de preparação de remédios caseiros e cosméticos. Rosimeire Bernardes, uma das integrantes do grupo, lembra como ela começou a se envolver neste trabalho: “Cheguei a tomar quatro tipos de remédios para depressão. Minha filha também tinha uma asma persistente. Foi por precisão e preocupação com minha filha que entrei no grupo. Desde então, ela começou a tomar o xarope caseiro e há 8 meses que ela não precisa usar bombinha e eu não uso antidepressivos. A alimentação também melhorou: agora eu uso toda a abóbora, até a casca, e pico transagem no meio da couve.”

Por uma alimentação adequada e saudável

No terceiro encontro do Curso de Agricultura Urbana, os agricultores também refletiram sobre diversos aspectos do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável. Nos debates que aconteceram no curso, os participantes destacaram como o acesso ao alimento tem sido tão mediado pela indústria e pelo comércio e que pouco se sabe da origem daquilo que se come. “Surgiu em mim a reflexão de estar comendo no escuro há mais de 30 anos e não só agora nesse momento, pois não sabemos o que estamos comendo, de onde vem, como é produzido”, avaliou Cassandra Pereira, uma das participantes do curso.

Os participantes também relembraram quais alimentos eram consumidos pelos seus avós e concluíram que o inhame, a mandioca, o fubá, o milho, as frutas, as verduras e os quitutes daquele tempo são bem diferentes dos alimentos industrializados que compõem boa parte da alimentação de hoje em dia. Maura Coutinho, integrante do Grupo Aroeira, analisa que “falar desse assunto não é falar só de nutrir o corpo, mas também de uma questão cultural. Se eu moro no Amazonas, minha alimentação será diferente. E eu tenho que ter acesso aos alimentos da minha região. Mesmo com pouco espaço em casa, é possível produzir e se alimentar com algo mais próximo e mais seguro.”

São contribuições da agricultura urbana para múltiplas questões latentes hoje na sociedade.

Marcelo Almeida / REDE-MG
Caminhada para identificação de plantas medicinais em área verde na região leste de BH

« voltar

Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas

Rua Tamboril, 248 . Concórdia . Belo Horizonte . MG . 31.110-640

telefax: 55 31 3421.4172 - e-mail: rede-mg@rede-mg.org.br

política de privacidade - ©2005-2010 - todos os direitos reservados